domingo, 25 de setembro de 2016

Rádio Quebra-Gelo FM - 14 anos no ar em São Joaquim



No dia 16 de agosto de 2002, entrou no ar a Rádio Comunitária FM Quebra-Gelo, com uma programação totalmente diferenciada aos ouvidos da comunidade que na época tinha apenas uma opção de programação local e, a partir daí, começaram a sintonizar também 104,9 FM. Tudo surgiu de forma amplamente organizada, em 2002 fundaram uma associação com 16 entidades incentivadas pelo Pe. Edson Feltrin. 


Ele defendia vez e voz da comunidade joaquinense, com uma programação diversificada, democrática e de boa qualidade. Nazareno Aquis Martins, foi aclamado primeiro coordenador geral da nova emissora. No ano de 2003 o jovem diretor afirmou em entrevista a o Jornal Carucaca que a Rádio Comunitária surgiu como um meio de comunicação diferente dos já existentes, considerados imbatíveis que divulgavam as informações sem questionamentos. 


Assim sozinhos poderiam manipular informações, pois não havia alternativa radiofônica para “balançar” a opinião pública local. De fato a programação caiu no gosto popular, em todos os segmentos, com músicas de qualidade e programas variados e comunitários. 


Polícia Federal tirou a programação do ar

Para as entidades nunca foi fácil manter uma rádio no ar. Não demorou muito e antes de completar dois meses de programação os fiscais da Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações que é a controladora dos meios de comunicação, inspecionou a emissora. Já em dezembro, a parte pior, quando viaturas da Polícia Federal estacionaram em frente ao prédio onde funciona até hoje a rádio. 


O rompante liderado por um delegado da ANATEL acompanhado de policias federais obrigaram à força que todos os equipamentos fossem desligados e o transmissor lacrado. Fora do ar, a notícia correndo boca a boca na cidade revoltou os já fieis ouvintes que de pronto, em três dias, mais de 2 mil assinaturas pediam a rádio no ar novamente e foi o que ocorreu, por meio de uma liminar. 


A rádio voltou mais forte, pois a comunidade não aceitava o prematuro fim de uma emissora comunitária. Não houve dúvidas e tão logo se descobriu que os federais vieram através de uma denúncia. A implantação da rádio ganhou a confiança do público e a tentativa de tirá-la do ar falhou. 


Concessão e programação de utilidade pública

O primeiro locutor a ser contratado pela emissora foi Luiz Tôninho Goulart, relembra quando a rádio estava a um passo de se tornar utilidade pública. Em seu depoimento ele afirma que só depois de muitos anos de luta, tramitava na pauta da Câmara de Vereadores em 2010 um Projeto de Lei aprovado em primeira votação por unanimidade, que tornava a Rádio Quebra Gelo FM, devidamente autorizada pelo Ministério das Comunicações, através da Portaria 510 de 3 de Setembro de 2007, como de “Utilidade Pública” ao município de São Joaquim. 


“Mesmo com baixo alcance, a emissora serve de exemplo de uma programação aberta e dedicada a todos os segmentos da comunidade local. A Quebra Gelo FM, desde o seu início, em 16 de agosto de 2002, se transformou em uma espécie de estímulo à cultura e divulgação das atividades locais. Foi pela Quebra Gelo FM o motivo de uma sessão extraordinária, quando da cassação do prefeito Téio, em 2008. Na oportunidade foi apresentada na Câmara de Vereadores, a gravação completa de uma entrevista da então vereadora, Estela Chiodelli que em certa oportunidade, foi à emissora e defendera o prefeito da época. 



Entre outras atividades da Quebra Gelo FM, recordo da promoção feita por Emerson Oliveira Cardoso, que encantou a todos com a arrecadação de brinquedos para o Dia das Crianças, foi uma felicidade geral. Uladimir Demeciano, na época vereador apresentou o projeto de Utilidade pública, oriundo da coordenação da emissora, defendeu o projeto de lei argumentando que “a rádio hoje é, um orgulho dos joaquinenses, pois quebrou um paradigma geral no que se refere à comunicação”. É o relato de apenas um trecho do longo caminho a ser percorrido pela emissora” assim definiu o Radiojornalista Antônio Goulart.
       


Após ganhar credibilidade a programação diversificada revelou bons profissionais de rádio, uma equipe forte fez sucesso. Em 2007 a rádio reestruturou parte da grade ado-tando uma reformulação da programação, nestas mudanças vários profissionais e vo-luntários foram desligados. Neste mês de agosto completa 14 anos no ar, na frequên-cia 105,9 FM, sob a coordenação geral de Luis Afonso.

Entrevista com Luis Afonso diretor da Rádio Quebra Gelo FM


Em que momento o senhor assumiu a coordenação da emissora?

LUIS AFONSO: Em 01 de julho de 2013, mas ajudei na época da fundação da rádio, inclusive na escolha do nome em 16 de agosto de 2002. Havia a dúvida entre Rádio Carucaca e Rádio Quebra Gelo, eu fui um dos que optei pelo vencedor.


Como é percorrer estes 14 anos de programação?

LUIS AFONSO: Muita dedicação e capacidade de superar os obstáculos que não foram poucos. E só temos a agradecer aos colaboradores da Rádio Quebra Gelo ao longo destes 14 anos. A vitória não é da direção, mas de todos que sempre nos ajudaram com audiência, serviços voluntários e apoio cultural. Motivo de orgulho e satisfação pelo dever cumprido até aqui.

Em meados de 2007 ouve uma readequação no formato de programas com desligamentos de alguns funcionários e voluntários. Como avaliou aquela mudança? Foi um avanço?

LUIS AFONSO: Quanto às mudanças que ocorreram em 2007 foi um mal necessário, digamos assim, passávamos por muitas dificuldades financeiras na época, pois, mesmo com as mudanças, ainda ficou uma dívida, que ficamos mais de dois anos pagando. A Rádio não tem fins lucrativos, mas tem que haver um equilíbrio entre as receitas e as despesas.

Quais são os próximos investimentos para o futuro da emissora?

LUIS AFONSO: Precisamos fazer muitos investimentos na parte operacional, estrutural e readequação da programação, que por se tratar de uma emissora cultural esta deve ser voltada para a cultura. Para que isto seja possível, precisamos de mais apoio de todos os segmentos da nossa sociedade.

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